sábado, junho 12, 2010

Quero ser o ente
que a minha mente
sente.
Quero ver o ventre
da minha morada
novamente.
Quero que esquente
a minha mente
de morada novamente.
Demorada
é o que a minha mente
sente
ser.
Paredes do mundo,
do muro real que cerca minha mente,
me livre de suas concretudes,
me liberte de suas caretices.
Quero crer
que no mundo da minha mente
a liberdade seja o alimento
que me sustenta,
que me alimenta.
Quero crer
que no planeta das minhas idéias
a autenticidade prevaleça
e conquiste as glórias da normalidade.
Escrever por que te quero, escrever por que te devo. Devo estar sem o pensamento preparado para tal tarefa que tanto me satisfaz. Escrever, que sempre foi um tarefa não simples, tarefa as vezes árdua, as vezes dolorosa. Nas aulas de redação do Gilson ele nunca achava um texto bom. Não que eu tivesse escrito alguma coisa boa, mas ele nunca acharia de qualquer maneira e não só os meus textos, mas os dos outros também. O Gilson era um tipo de professor que não era professor, estava professor. Ele não se sentia professor e sim vivia uma fase professor. Ele nunca incorporou a áurea daqueles autênticos professores que ensinam seus alunos com a vontade que lhes é fundamental. Vejo muito isso na minha mulher que sempre demonstrou profundo orgulho em falar sobre os aprendizados de cada um de seus educados, sempre sentia prazer em falar sobre o conhecimento adquirido de cada criança a cada novo dia de aula. Para o Gilson aquela situação de aula era um estado de momento, um momento que não era exatamente onde ele gostaria de estar, com um bando de jovens, adolescentes, beberrões falando como era para ser escrito um conto, uma crônica, um roteiro... o Gilson era um mala. Fumava na porta da classe enquanto que nós, no auge da excitação juvenil ficávamos sentados nas carteiras tentando criar situações para descrever e escrever na forma que ele propunha no dia. O cara era um louco, sem ao menos nos proporcionar uma situação propícia para isso, ele queria que nos sentíssemos bem e a vontade para soltar nossa imaginação e delatá-la no papel. O que espere um cara que age assim? O que o leva a crer que daquela experiência possa sair boas estórias e bons textos? não precisa ser nenhum mestre da academia de letras para compreender que para se ter um bom texto é preciso um mínimo de concentração e sentimento de liberdade para poder ser livre e soltar as palavras no papel na forma que melhor ordena o seu, o nosso, o vosso raciocínio. Raciocinar em demasia sobre a forma é como engarrafar o sentimento, materializar o ideal, concretizar o subjetivo. Deixemos livre a nossa mente para que ela possa teclar nossas idéias e riscar nas paredes do mundo real aquilo lhe faz bem... as letras!