sábado, setembro 03, 2005

o toque na pele
esquenta o cerne
encoberto
pela polidez
e sordidez
da minha falta de coragem

tudo pela hipocrisia
de um equilíbrio dislexo,
sem nexo,
desconexo,
sem sexo.

quero trepar,
quero me dar,
quero,
dar-me
para trepar.

foda-se
a ética moral,
foi-se
a pureza social.
Foda-se,
essa é a razão existencial.
algo será expelido
assim que conseguir
deixar de me amedrontar
com o devir
com o ir e vir
e vir que só o é
quando já está na mente
na cabeça de gente

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a gente alimenta
a tormenta
e encobre
e lamenta o
irritante pensamento e a
infeliz idéia de
ouvir e sentir
o coração cheio de
uma
única
última omerica intuitiva envolvente ardente
Paixão
Ouvi hoje o cassio tocar. As letras dele sempre foram densas, mas agora ele está chegando numa maturidade musical que permite a ele traduzir as formas ritmicas que compõem o mundo e nos mostrar como é a visão de uma pessoa que vê o mundo musicalente bonito. Lindo quando se consegue tirar o feio desse mundo lindo pra quem consegue achá-lo lindo...

escrever é a minha maneira
de me entender
e poder ver
que ao meu ver
o que importa é eu querer,

querer ver
aquele infinito
que não vejo
mas sinto.
e não minto
quando finjo
não vê-lo
somente estou
a senti-lo

sexta-feira, setembro 02, 2005

lendo isso aqui que escrevi percebo porque o Fernando Pessoa fez aquele poema sobre o dizer sem palavras, sobre o se expressar sem alardear, sobre o sentir sem se revelar...
Do sentimento não se fala, se sente.
[...o Amor, quando se revela...]

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Como lidar com uma paixão? encará-la ou simplesmente negá-la? não consigo saber a resposta, a resposta para o meu momento. A cada momento uma dessas respostas pode estar correta, a diferentes momentos essas repostas podem saciar. O anceio pela resposta é o alimento da questão.
Outro dia ouvi dizer por ai que as respostas existem e nós só precisamos encontrá-las, não acho que é isso não, para mim as respostas são criadas para as perguntas que criamos também. Se não criarmos o problema ele não existirá, assim como não existirá também uma resposta para um problema que não foi criado, por isso que as respostas são criadas.
As respostas são criadas para solucionar os problemas brotados das nossas adubações mentais. Adubações cultivadas pela germinação socio-cultural ao qual estamos todos submetidos. Mesmo assim, não consigo saber se tenho que encarar ou negar a paixão, ou as paixões.
Será que a vida nossa é um constante embate entre a frutação e a satisfação de escolhermos uma dessas respostas para as paixões que avassalam e consomem nossas vidas?