quinta-feira, março 16, 2006

Perdido...

A perda da consciência
da inocência do perdido
A eloqüência do vencido

A solidão do sólido
limita a mente
que sente
não ter
forças
para mudar
a consciente
situação
de estar
perdido
e
fodido...

queria poder saber o caminho
queria saber o sentido
adoraria viver por um motivo
mas se esse motivo for o amor
ele sempre, sempre vai acabar
porque assim como a certeza da morte
o amor sempre acaba em despedida

a demissão do amado
o amado amor demitido
depravado e omitido amor
inquieto e calado amor

preciso pensar sobre isso.

A perda da identidade que achei que tinha criado durante esses anos de composição do meu ser. A derrocada do sistema que sustentava essa identidade ruiu e agora precisa ser refeita, ou bem feita pela primeira vez. A aceitação de que uma identidade se foi é uma merda, é uma bosta, é um buraco ocupando o caminho.

Preciso soltar a cabeça pra que ela me deixe ser guiado pelas emoções e os sentimentos que afloram a cada minuto, e olha que são deveras. Se ficar tentando racionalizar os sentimentos eles sempre serão controlados, pudicos, mesquinhos, pequenos.

A identidade só alcança a plenitude quando ela consegue criar e digerir seu próprio alimento que nada mais é que ela mesma. A identidade precisa se sustentar para que ela consiga se ver nas pessoas e conseqüentemente no mundo. Como eu ouvi hoje nada mais é que o espelho daquilo que você é, as pessoas.

Tirar as mascaras que ainda me restam para que consiga respirar o verdadeiro ar que me sustenta.
Descamar a pele “micosada” para aliviar os poros da sujeira depreciatória que me encobre.
Cuspir as mazelas digeridas ao longo da longa refeição que fiz de mim.
Defecar o alimento da minha alma enfezada.
Preciso disso para me libertar de mim, para me achar ou achar um eu que anda perdido...